DISCERNIR ADEQUADAMENTE A AUTORIDADE ESPIRITUAL PARA SEGUIR O SENHOR CORRETAMENTE
INTRODUÇÃO
A questão de autoridade é um assunto importante na Bíblia. O próprio universo é sustentado pela palavra da autoridade de Deus (Hb 1:3). A obra de Deus nesta era é estabelecer o Seu reino como a esfera na qual Ele é expresso e Sua autoridade é mantida (Mt 6:13). Assim, o reino é uma parte crucial do cumprimento do propósito de Deus em criar o homem (Gn 1:26).
A igreja hoje é o reino de Deus (Rm 14:17; Mt 16:18-19). Ela tem a primazia no encabeçamento de Cristo (Ef 1:10). Numa vida normal da igreja, o estabelecimento da autoridade de Deus é uma preocupação vital. Porquanto o assunto sobre autoridade espiritual foi mal usado por alguns dentro da restauração do Senhor bem como por muitos de fora, é muito necessária uma compreensão adequada da autoridade espiritual. Este documento não tenta tratar exaustivamente com o tópico sobre autoridade e submissão espiritual; em vez disso, ele procura abordar algumas das maneiras nas quais o uso de “autoridade” foi abusivo. Para uma compreensão mais ampla do tema sobre autoridade, favor recorrer à Leitura Recomendada no final deste artigo. Nesse artigo vamos examinar:
- Alguns entendimentos básicos sobre autoridade e sua importância;
- Como discernir quem tem autoridade espiritual e quem não tem; e
- O que fazer quando uma autoridade oficial se desvia da verdade.
Recentemente alguns irmãos usaram sua “posição
” de obreiros ou presbíteros para exigir obediência da parte dos santos. Esses irmãos ousaram declarar sua autoridade pessoal, fazendo disso um ponto de debate, e ao fazê-lo demonstraram sua carência da genuína autoridade espiritual. Autoridade no Corpo de Cristo não é posicional ou organizacional, mas espiritual. Sua aplicação também deve ser espiritual.
Autoridade espiritual é propriedade única da Cabeça, Cristo (Mt 28:18; Ef 1:22-23). Essa autoridade é transmitida no Corpo e por intermédio do Corpo na sua união orgânica em vida com a Cabeça. Os seres humanos—sejam apóstolos, profetas, presbíteros ou diáconos—não têm autoridade espiritual em si mesmo. Os homens somente podem agir como autoridade delegada de Cristo no grau em que estão na união orgânica com Cristo no espírito mesclado e corretamente relacionados com o Corpo. Além disso, essa autoridade delegada precisa ser exercida dentro da restrição do ensinamento dos apóstolos. O ensinamento dos apóstolos é a única liderança no Novo Testamento. A autoridade dos irmãos com dons não é exercida diretamente por intermédio de suas ordens ou controle das ações dos santos e das igrejas, mas é exercida indiretamente ministrando vida por meio do ensino segundo a economia neotestamentária de Deus. Na verdade, não seguimos pessoas tanto quanto seguimos a visão da economia neotestamentária de Deus.
Alguns têm dito que os santos nas igrejas devem obedecer a sua autoridade sem se preocupar se a essa autoridade em si é adequada ou não. Esse é um ensinamento incorreto e perigoso, como vamos demonstrar com numerosos exemplos contidos na Bíblia. É vital que os santos tenham uma compreensão adequada de autoridade segundo a verdade da Bíblia e um discernimento apropriado dessa autoridade: o que é genuíno e o que é pressupostamente reivindicado.
A genuína autoridade espiritual pode ser discernida observando-se tanto a pessoa como a maneira pela qual ela exerce a autoridade. A autoridade é proveniente da vida ressurreta de Cristo. Ela surge como revelação, isto é, o desvendar da economia neotestamentária de Deus. Assim, quando tocamos numa pessoa com autoridade espiritual, recebemos vida e revelação que se encaixa no ensinamento da economia neotestamentária de Deus por parte dos apóstolos. Também, quando tocamos numa pessoa com autoridade espiritual, somos introduzidos na luz, e o resultado é alegria e o florescimento do fruto da vida divina para alimentar outros.
Além disso, uma pessoa que exerce autoridade deve ser ela mesma uma pessoa sujeita à autoridade. No Novo Testamento, autoridade é uma questão que diz respeito ao Corpo. Ninguém pode pôr-se acima da autoridade do Corpo e vindicar representar a autoridade de Deus. Se um irmão não estiver disposto a ter sua obra mesclada com outros, nem colocar sua obra na oração e comunhão comuns dos cooperadores, a obra dele não estará sob a autoridade da Cabeça. A autoridade do trono está com aqueles que têm um céu claro (Ez 1:26). Quando uma pessoa com autoridade espiritual contata pessoas, ela não precisa vindicar a si mesma ou afirmar sua própria autoridade porque a presença e o testemunho do Espírito estão ali. Porquanto o próprio Espírito está ali, a autoridade do Espírito também está.
Podemos também discernir autoridade espiritual vendo como uma pessoa exerce autoridade. Autoridade espiritual não é exercida de uma maneira natural, humana. Não é organizacional ou administrativa. Na verdade ela não parece autoridade de maneira nenhuma. Antes, autoridade espiritual é uma questão de servir o povo de Deus como escravo, suprindo-lhes em amormediante o fluir da vida ressurreta sobre eles ao apascentar, alimentar e proteger o rebanho. Aqueles que exigem obediência, para si ou para outrem, estão na esfera errada e violam o que Deus lhes demarcou (2Co 10:13).
Assim como há sinais de que uma pessoa tem autoridade espiritual, também há sinais se a presumida autoridade espiritual de alguém é ou não genuína. Por exemplo, se uma pessoa afirma sua própria autoridade, seja diretamente a si ou indiretamente por meio dos que o apóiam, está desqualificada para representar a autoridade de Deus. Se pratica autodefesa, sua autoridade não é genuína. Se deprecia a verdade ou enfatiza o “sucesso” na obra em vez da economia de Deus, se desviou do ensinamento dos apóstolos, que constitui a verdadeira liderança na era do Novo Testamento. Se efetua ou lidera outros para efetuar obra em rivalidade, está violando o princípio do Corpo e está assim em rebelião contra a Cabeça. Se procura estabelecer ou expandir uma área de influência ou região para sua própria obra pessoal dentro da restauração do Senhor, está servindo a seu próprio interesse e não o do Senhor.
Além disso, se uma pessoa exerce autoridade de uma maneira errada, isso indica que a autoridade daquela pessoa não é genuína. Se uma pessoa comporta-se como se fosse autoridade, se tenta exercer controle sobre os outros, se “espanca” seus co-escravosexercendo domínio ou censura, se extravia os santos ensinando diferentemente, ou se ela faz de sua própria “autoridade” a base de receber outros em comunhão, tudo isso é sinal que ela não tem verdadeira autoridade espiritual. Uma pessoa nunca pode ser uma autoridade se ela mesma estiver em rebelião contra autoridade. Sinais inequívocos que uma pessoa está em rebelião são palavras ofensivas, argumentos, e pensamentos rebeldes. Tais coisas são características típicas de pessoas facciosas, divisivas que o apóstolo Paulo insta para que
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